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Angola é senhora de um
quadro de grande diversidade cultural no qual a literatura e as artes
têm uma forma inovadora de se afirmar.
A origem da literatura Angolana remonta a meados do século XIX e
inscreve-se numa tradição intervencionista e panfletária de uma
imprensa feita pelos nativos da terra. Demarca-se rapidamente das suas
congéneres de língua portuguesa, alimentando uma projecção fora das
fronteiras do País.
A literatura angolana conhece notoriedade em 1935, com a publicação do
“primeiro romance” escrito por um angolano, António Assis Júnior,
intitulado: O segredo da morta”.
É a geração de 50, através da revista “Mensagem”, que faz realçar os
nomes de Agostinho Neto, Viriato da Cruz e António Jacinto. Nomes que
deram continuidade a uma tradição de luta, de poemas decisivos que
ajudaram a direccionar a consciência de gerações inteiras para a
necessidade de resistência contra a dominação colonial e pela
afirmação nacional.
Nos anos seguintes, autores como Óscar Ribas, Luandino Vieira, Arnaldo
Santos, Uanhenga Xitu, Mário António e muitos outros, recriam uma
linguagem que torna modos de ser, pensar e agir reconhecíveis na
palavra escrita. Esse reconhecimento contribui para a difusão e
consolidação de uma identidade própria.
Após a independência de Angola, forma-se a União de Escritores
Angolanas e com ela multiplica-se a actividade editorial.
Nesta época,
revelam-se e consagram-se poetas como Jofre Rocha, membro fundador da
união dos escritores Angolanos, Arlindo Barbeitos, David Mestre
e Ruy Duarte de Carvalho, ao lado de prosadores como Henrique
Abranches, Manuel Rui Monteiro e Pepetela. Este último, autor de
“Mayombe”, ganha o prémio Camões, máximo galardão literário em Língua
Portuguesa.
Todos eles, em níveis diferentes de elaboração estética e literária,
questionam o rumo do país, ajudam a forjar uma nova sensibilidade e a
recrear uma consciência crítica do “todo” nacional.
A partir dos anos 80, deixa-se a necessidade de demonstrar o plano
histórico e político e a direcção natural que se segue é a liberdade
de criação, com temas predominantemente de natureza intimista e
amorosa.
Destacam-se pelo rigor e riqueza imagética os poetas José Luís
Mendonça, João Maimona, João Melo, Paula Tavares, Lopito Feijó,
Botelho de Vasconcelos, entre outros.
Nos anos 90 predominam os prosadores, sendo esta a expressão literária
e característica mais forte da actual produção literária em Angola.
Ao lado de Pepetela estão Manuel Rui, Henrique Abranches e Arnaldo
Santos, que nunca deixaram de editar novas obras, surgem ou
confirmam-se nomes como os de José Eduardo Agualusa, José Sousa Jamba,
Boaventura Cardoso, Fernando Fonseca Santos, Cikakata Mbalundo,
Fragata de Morais, Jacinto de Lemos, Roderick Nehone, Alberto Oliveira
Pinto, Jacques Arlindo dos Santos… que mantêm viva a tradição crítica
da literatura angolana, ao mesmo tempo que a enriquecem com a
diversidade dos seus temas e a crescente qualidade da sua escrita.
A incipiente literatura dramática continua praticamente inexpressiva,
havendo apenas a registar desde a independência a publicação de obras
de apenas 9 autores: José Mena Abrantes, Pepetela, Domingos Van-Dúnem
e Trajano Nankhova. Com uma única obra apresentam-se Henrique Guerra,
Manuel dos Santos Lima, Costa Andrade, João Maimona e Casimiro
Alfredo.
Fonte:Angola Digital - Edição e Pesquisa |